História da Arte Contemporânea

/em CONSTRUÇÃO

 

1905 – FAUVISMO

Esta corrente, Fauvismo, constituiu a primeira vaga de assalto da arte moderna propriamente dita. Em 1905, em Paris, no Salon d’Automne, ao entrar na sala onde estavam expostas obras de autores pouco conhecidos, Henri Matisse, Georges Rouault, André Derain, Maurice de Vlaminck, entre outros, o crítico Louis de Vauxcelles julgou-se entre as feras (fauves). As telas que se encontravam na sala eram, de facto, estranhas, selvagens: uma exuberância da cor, aplicada aparentemente de forma arbitrária, tornava as obras chocantes. Caracteriza-se pela importância que é dada à cor pura, sendo a linha apenas um marco diferenciador de cada uma das formas apresentadas. A técnica consiste em fazer desaparecer o desenho sob violentos jactos de cor, de luz, de sol.

Principais características:

- Predominância da cor sobre as formas: a cor é vista como um meio de expressão íntimo;
– Desenvolve-se em grandes manchas de cor que delimitam planos, onde a ilusão da terceira dimensão se perde;
– A cor aparece pura, sem sombreados, salientando os contrastes com pinceladas directas e emotivas;
– Autonomiza-se da realidade, pois a arte deve reflectir a verdade inerente, que deve libertar-se da aparência exterior do objecto;
– O tema não é relevante, não tendo qualquer conotação social, política ou outra.
– Os planos de cor estão divididos, no rosto, por uma risca verde. Do lado esquerdo, a face amarela destaca-se mais do fundo vermelho, enquanto que a outra metade, mais rosada, se planifica e retrai para o nível do fundo em cor verde. Paralelos semelhantes podemos ainda encontrar na relação entre o vestido vermelho e as cores utilizadas no fundo.
– A obra de arte nasce, por isso, autónoma em relação ao objecto que a motivou, dos temas mais característicos do autor, onde sobressaem os padrões decorativos.
– A linguagem é plana, as cores alegres, vivas e brilhantes, perfeitamente harmoniosas, sem intenção de simular profundidade, respeitando a bidimensionalidade da tela.
– A cor é o elemento dominante de todo o rosto. Esta é aplicada de forma violenta, intuitiva, com pinceladas grossas, empastadas e espontâneas, dando ao conjunto uma rudeza e agressividade juvenis.
– Estudo dos efeitos de diferentes luminosidades, anulando ou distinguindo efeitos de profundidade.

 

1905 - EXPRESSIONISMO

No norte da Europa, a celebração fauvista da cor foi levada a novas profundidades emocionais e psicológicas. Assim,a partir de 1905, o expressionismo começou a desenvolver-se na Alemanha (e posteriormente na Áustria) seguindo a tendência de pintores do final do século XIX, como Cézanne, Gauguin, Van Gogh e Matisse.

Nunca houve um grupo de artistas que se auto denominassem Expressionistas. Houve sim vários grupos na pintura, com linguagem Expressionista onde se incluem Der Blaue Reiter e Die Brücke. Mais tarde no século XX, este movimento influenciou um grande número artistas, incluindo os expressionistas abstractos americanos tais como Jackson Pollock.

Denominam-se expressionistas os dois grupos de vanguarda do início do século XX que estavam mais interessados na interiorização da criação artística do que na sua exteriorização, projectando na obra de arte uma reflexão individual e subjectiva. Os artistas expressionistas procuraram desenvolver formas pictóricas que exprimissem mais os sentimentos íntimos do que o mundo exterior. A pintura expressionista é intensa, apaixonada e muito pessoal, baseada no princípio de que a tela é um veículo para a demonstração das emoções. As cores violentas, irreais, a par de pinceladas dramáticas, são típicas da pintura

expressionista, cheia de vitalidade. Não é surpreendente que Vincent van Gogh, com a sua técnica frenética de pintura e extraordinário uso da cor, tenha sido a fonte para muitos pintores expressionistas.

A pintura Expressionista é, então, a representação distorcida da realidade resultando num efeito emocional. A emoção é um impulso sensorial que move um ser humano para uma determinada acção. Pelo que a predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais é bastante importante no Expressionismo.

Principais características:

- Pesquisa no domínio psicológico;
– Cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas;
– Dinamismo improvisado, abrupto, inesperado;
– Pasta grossa, martelada, áspera;
– Técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões;

Como reação contra o passado, o expressionismo não reage apenas contra este ou aquele movimento, contra o naturalismo ou os vários movimentos vigentes na Alemanha na época, mas reage, sobretudo, contra todo o passado; é o primeiro movimento cultural que deve ser compreendido, antes de mais nada, por uma rebelião contra a totalidade dos padrões, dos valores do Ocidente. A arte cessa de gravitar em torno de valores absolutos.

1905 – [EXPRESSIONISMO] Die Brücke (A Ponte)

1911 – [EXPRESSIONISMO] Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul)

 

1907 – CUBISMO

Historicamente o Cubismo teve origem na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe do que Cézanne. Passaram a representar os objectos com todas as suas faces no mesmo plano. É como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objectos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas.

O pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos de visão, por cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes.

O Cubismo divide-se em duas fases:

Cubismo Analítico – (1909) Caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos. Decompondo a obra em partes, o artista regista todos os seus elementos em planos sucessivos e sobrepostos, procurando a visão total da figura, examinando-a em todos os ângulos no mesmo instante, através da fragmentação da mesma. Essa fragmentação dos seres foi tão grande, que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. A cor reduz-se aos tons de castanho, cinza e bege.
 
Cubismo Sintético – (1911) Reagindo à excessiva fragmentação dos objectos e à destruição de sua estrutura. Basicamente, esta tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objectos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também no observador as sensações tácteis.

A obra de um artista é uma espécie de diário. Quando o pintor, por ocasião de uma exposição, vê algumas de suas telas antigas novamente, é como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos – só que vestidos com túnica de ouro. Pablo Picasso

A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade. Pablo Picasso

 

1909 – FUTURISMO

Esta corrente nasceu em Itália e foi um movimento que se manifestou inicialmente na literatura, para mais tarde se estender às artes plásticas, à arquitectura, à música, ao cinema, etc. Surgiu por volta de 1909 e foi marcado pelo Manifesto Futurista do poeta Filippo Marinetti. Neste texto, o autor apresentava como pontos fundamentais a recusa da harmonia e do bom gosto, do geometrismo intelectual dos cubistas, bem como do sensualismo cromático dos fauvistas, propondo uma nova poética que combatia qualquer forma ligada à tradição e fazia a exaltação da civilização industrial com tudo o que ela comportava – o movimento da máquina e da velocidade -, fazendo uma total assunção da sociedade moderna e industrial.

Os elementos essenciais da nossa poesia serão o valor, a ousadia e a rebelião. Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um automóvel de corridas é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.  Marinetti, Primeiro Manifesto Futurista, 1909

Principais características:

- Apologia da máquina, da velocidade, da luz e da própria sensação dinâmica;
– Libertação e exaltação das energias;
– Exaltação do presente, da velocidade e das formas dinâmicas produzidas pela civilização, reflectindo a vida moderna;
– Alternância de planos e sobreposição de imagens, ora fundidas, ora encadeadas, para dar a noção de velocidade e dinamismo;
– Arabescos contorcidos, linhas circulares emaranhadas, espirais e elipses;
– Geometrização dos planos em ângulo agudo, mais dinâmico, abolindo totalmente os ângulos rectos cubistas na organização espacial, permitindo a sugestão da fragmentação da luz;
– Cores muito contrastadas, em composições violentas e chocantes.

 

1910 – ABSTRACCIONISMO

 

1916 – DADAÍSMO

Movimento artístico e literário com um pendor niilista, que surgiu por volta de 1916, em Zurique, acabando por se espalhar por vários países europeus e também pelos Estados Unidos da América. Embora se aponte 1916 como o ano em que o romeno Tristan Tzara, o alsaciano Hans Arp e os alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck seguiram novas orientações artísticas e 1924 como o final desse caminho, a verdade é que há uma discrepância de datas respeitantes, quer ao início, quer ao final deste movimento, ou como preferem os seus fundadores, desta «forma de espírito».

O movimento Dada surge durante e como reacção à I Guerra Mundial. Os seus alicerces são os da repugnância por uma civilização que atraiçoou os homens em nome dos símbolos vazios e decadentes. Este desespero faz com que o grande objectivo dos dadaístas seja fazer tábua rasa de toda a cultura já existente, especialmente da burguesa, substituindo-a pela loucura consciente, ignorando o sistema racional que empurrou o homem para a guerra.

Dada reivindica liberdade total e individual, é anti-regras e ideias, não reconhecendo a validade, nem do subjectivismo, nem da própria linguagem. O seu nome é disso mesmo um exemplo: Dada, que Tzara diz ter encontrado ao acaso num dicionário e, segundo o mesmo, não significa nada, mas ao não significar nada, significa tudo. Este tipo de posições paradoxais e contraditórias são outra das características deste movimento que reclama  não ter história, tradição ou método. A sua única lei é uma espécie de anarquia sentimental e intelectual que pretende atingir os dogmas da razão. Cada um dos seus gestos é um acto de polémica, de ironia mordaz, de inconformismo. É necessário ofender e subverter a sociedade.

Não é fácil definir Dada. Os próprios dadaístas para isso contribuem: as afirmações contraditórias não permitem um consenso já que, enquanto consideram que definir Dada era anti-Dada, tentam constantemente fazê-lo. No primeiro manifesto, por ele próprio intitulado dadaísta, Tristan Tzara afirma que «Ser contra este manifesto significa ser dadaísta!», o que confirma a arbitrariedade e a inexistência de cânones e regras neste movimento. São conscientemente subversivos: ridicularizam o gosto convencional e tentam deliberadamente desmantelar as artes para descobrir em que momento a criatividade e a vitalidade começam a divergir. Desde o início que é  destrutivo e construtivo, frívolo e sério, artístico e anti-artístico. 

Em Nova Iorque, a formação do movimento Dada teve o impulsio do grupo Stieglitz, formado pelo fotógrafo Man Ray, pelo pintor espanhol Francis Picabia e pelo francês Marcel Duchamp. Este último que, desde 1915, estava instalado nos EUA, constituiu o expoente máximo do dadaísmo. Precursor da vertente mais destrutiva e anti-artística desta corrente, Duchamp tornou-se famoso pelos ready-made ou object trouvé, que consistia no uso de objectos comuns e banais, retirados do seu contexto tradicional e então considerados arte.

Todos os autores associados a este movimento destacam-se, então, da sociedade em que estão inseridos pela revolta, pelos valores expressos nas suas obras, pelas convicções que defendem e pelas contradições que apresentam, muitas vezes exemplo da vitalidade e humor dos criadores.

Dada tornou-se muito popular em Paris, para onde Tzara vai viver depois da guerra. Na capital francesa, ao contrário de Berlim e Nova Iorque, o movimento Dada desenvolve-se bastante no campo literário. Esta ligação foi muito importante para a génese do surrealismo que acaba por absorver o movimento  no início da década de vinte. As fronteiras entre os dois movimentos são ténues, embora  se oponham: o surrealismo mergulha as suas raízes no simbolismo, enquanto Dada se aproxima mais do romantismo; o primeiro é nitidamente politizado, enquanto o segundo é, na generalidade apolítico (com excepção do grupo de Berlim).

 

 c.1919 – SURREALISMO

O aparecimento do Surrealismo não pode dissociar-se da mudança de estruturas económicas e sociais, decorrentes sobretudo da I Grande Guerra e da “Revolução de Outubro”, em 1917, na U.R.S.S., nem do agravamento de uma crise da valores que inclui o questionamento do pensamento discursivo e racional. Este movimento desejou revolucionar a vida através da arte, aceitando e alimentando as manifestações do inconsciente, da loucura, do desregramento dos sentidos, da anulação de fronteiras entre o sonho e a realidade.

Num breve percurso pela história do surrealismo em França, refira-se primeiro o movimento dada, fundado em 1916 por Tristan Tzara, que pôs em prática, a partir de 1919, uma das técnicas mais usadas, posteriormente, pelos surrealistas: a escrita automática. Tristan Tzara, nascido na Roménia, vai para Paris precisamente em 1919, onde é acolhido pelo grupo da revista Littérature, fundada nesse ano por André Breton, Louis Aragon e Philippe Soupault. Também Breton experimenta a escrita automática a partir de 1919, e escreve, com Philippe Soupault, Les Champs magnétiques.

Em 1922, Tristan Tzara rompe com André Breton e em 1924 surge “oficialmente” o Surrealismo, com o Manifeste du surréalisme, deste último. O vocábulo, usado pela primeira vez por Guillaume Apollinaire, em 1918, ganha a definição exacta apresentada no Manifesto: “Automatismo psíquico pelo qual se pretende exprimir,  verbalmente ou por escrito, ou de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de qualquer vigilância exercida pela razão, para além de qualquer preocupação estética ou moral” (Breton, Manifestos do Surrealismo, Lisboa, Edições Salamandra, 1993,p.34).

No entanto, os modos de expressão do surrealismo não se reduzirão ao procedimento da escrita automática.  Apresentar-se-á como um movimento revolucionário, não reservado apenas à literatura mas será sobretudo a poesia o instrumento de Conhecimento tendo em vista a emancipação do homem.

Sistematização dos aspectos mais importantes da escrita surrealista:

- Actividade experimental na prática do automatismo e na prospecção dos estados segundos, através da escrita automática e do sono provocado ou hipnótico.
– Preocupação em explorar o inconsciente
– Prospecção sistemática dos sonhos, das coincidências, de fenómenos do acaso
– Psicanálise
– Inquéritos acerca da sexualidade e do amor
– Esoterismo e magia
– Humor negro, cuja presença corrosiva é, por excelência,, o princípio de subversão da linguagem.

Não esqueçamos, no entanto, que muitos destes aspectos não são exclusivos da literatura e que foram também explorados noutras manifestações artísticas, sobretudo na pintura e no cinema.

Apesar do carácter vanguardista e revolucionário e da aparente ruptura com a história, os surrealistas apoiaram-se em trabalhos de artistas como Bosch, Piranesi, Goya, Chagall ou Klee e em movimentos como o Maneirismo, o Romantismo, o Simbolismo, a Pintura Metafísica e o Dadaísmo. Deste último retomaram algumas experiências (como a criação através de processos automáticos ou aleatórios) que levaram a um nível mais radical. Procurando apresentar o lado dissonante da personalidade humana, desenvolveram novas formas expressivas, das quais se salientam os desenhos automáticos de Masson e as colagens e frottages de Max Ernst.

O Surrealismo procurou ultrapassar a percepção convencional e tradicional da realidade, desenvolvendo pesquisas estéticas fundamentadas nas descobertas freudianas do valor do inconsciente enquanto complemento da vida consciente e da capacidade comunicativa do sonho. Desta forma conseguem ultrapassar o niilismo redutor do Dadaísmo, procurando então associar elementos díspares, através da dissociação dos objectos dos seus contextos convencionais de forma a obter significações inesperadas.

Recusando uma rígida unidade estilística, o surrealismo concretizou-se num espectro muito alargado de linguagens que iam desde o realismo mais minucioso de Dali, de Magritte e de Paul Delvaux, às tendências mais abstractas de Miró ou de Hans Arp, englobando expressões como a pintura, a escultura, a fotografia ou o cinema.

Desaparecendo enquanto movimento organizado com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, o Surrealismo teve repercussões consideráveis para o desenvolvimento de muitas das correntes artísticas da segunda metade do século XX, como a Arte Pop, a Performance Art, ou os grupos Cobra e Fluxus.

 

REALISMO SOCIALISTA

NEO-REALISMO

 

c.1942 a c. 1965 – INFORMALISMO

A arte informal engloba um grande leque de direcções e ramificações distintas e abrange obras de aspectos e conteúdos muito diversos. Dentro da arte informal pode falar-se de expressionismo abstracto, pintura matérica,  pintura sígnico-gestual, gestualismo, action-painting , tachismo (do francês “tache”  – mancha) e espacialismo. Cada uma destas correntes tem o seu carácter específico, quer pelos “novos” (porque até então alheios à pintura) materiais ou técnicas empregues quer pelas soluções espaciais que apresentam.

A arte informal- informalismo pode ainda situar-se numa categoria muito vasta que é a “obra aberta”, indicada por Umberto Eco:

Trata-se por conseguinte, de enfrentar um tipo de pinturas em que a expressão adquiriu novas e múltiplas possibilidades. Em muitas obras informalistas observa-se a presença de determinados signos e manchas aos quais o artista não deu significado predeterminado quando os criou, mas o espectador pode dotá-los de significados vários ao contemplá-los. Neste sentido o espectador, contribui, de certa maneira, para “concluir” a obra apresentada como “aberta” à interpretação por parte do artista.

Considera-se que a pintura informalista teve início em 1944, ou seja perto do final da II Guerra Mundial, tendo ido buscar as suas influências ao dadaísmo, surrealismo e abstraccionismo, em dois focos principais que foram Nova Iorque e Paris, tendo-se posteriormente espalhado por outros lugares dos Estados Unidos e da Europa.

O termo art informel  foi adoptado na Europa pelo crítico francês Michel Tapié, que pretendia eliminar o realce dado pelos americanos ao conceito de action painting e destacar a abolição da “forma” na arte, substituindo-a por zonas de matéria pictórica muito elaboradas que chegavam a criar verdadeiros relevos. Aliás, o vulgarmente considerado iniciador do informalismo europeu foi o pintor francês Jean Fautrier , que em finais da década de 20, realizava já um tipo de trabalhos que, apesar de ainda serem figurativos, se distinguiam pela espessura das suas texturas.

c.1940 – EXPRESSIONISMO ABSTRACTO

 

Expressionismo Abstracto é o nome dado a um grupo de artistas dos E.U.A. que, entre a década de 40 e 50, desenvolveu a sua pesquisa e produção artística de modo relativamente autónomo da arte europeia, o que viria a afirmar a presença norte americana no contexto artístico mundial, assumindo-se o termo como designação de um movimento artístico que encerra uma atitude vincada face à arte, dotado de características plásticas particulares. Ao Expressionismo Abstracto dá-se também o nome de New York School (Escola de Nova Iorque).

Essencialmente, resultou da influência da arte europeia nos jovens artistas americanos, nomeadamente do Cubismo e do Surrealismo, este por intermédio de Max Ernst e Marcel Duchamp, emigrados nos E.U.A. (a influência da arte moderna europeia nos E.U.A. tem inicio com o célebre Armory Show de Nova Iorque em 1913).O Expressionismo Abstracto norte-americano não foi completamente, nem abstrato nem expressionista, e os seus intérpretes desenvolveram estilos pessoais independentes. Utilizaram do Surrealismo a técnica do automatismo e do Cubismo a negação do espaço pictórico ilusionista e perspéctico em favor de um espaço pictórico estreito e sem profundidade.

Os pintores deste movimento não eram figurativos. Valorizavam a liberdade, a expressão da individualidade, a espontaneidade e a improvisação como aspectos essenciais do acto criativo. Liberdade e espontaneidade eram conceitos que também se aplicavam à técnica de execução das obras, que aliava o carácter físico do acto de pintar à livre expressão do artista.Os artistas deste movimento encaram a pintura como uma forma de improvisação psíquica, próximo daquilo que os surrealistas chamavam a “escrita automática”. Ou seja, a pintura é um meio de expressão de uma força criativa inconsciente. Abandonam por isso todas as regras tradicionais de composição, alteram os métodos de pintar (como Pollock, que dispunha as telas no chão) e aumentam o tamanho das telas deixando a pintura atingir efeitos visuais monumentais.

Os principais artistas da “Escola de Nova Iorque”, foram Jackson Pollock, Arshile Gorky, Willem de Kooning, Adolph Gottlieb e Mark Rothko. Estes desenvolveram um tipo de pintura que o crítico Harold Rosenburg designou por “Action painting” que se caracteriza pelo registo pictórico da própria acção do artista, em vez de este procurar construir uma imagem ou de retratar o seu estado emocional, dando ênfase à importância do acto criativo e à expressão do subconsciente através da arte.

Jackson Pollock utilizou ainda a técnica de dripping, em que a tinta é projectada ou escorrida directamente sobre a tela, geralmente de grandes dimensões, estando esta colocada horizontalmente no chão e deslocando-se o pintor a toda a sua volta. Após pintada a tela é aplicada na grade ocupando a pintura toda a área da tela: all-over painting.

Muito embora o termo “Expressionismo Abstracto” tenha sido, de facto, utilizado pela primeira vez, em 1919, para caracterizar a obra de Kandinsky, foi o crítico americano Robert Coates quem utilizou este termo em 1946 para se referir à obra de Arshile Gorky, Jackson Pollock e Willem de Kooning.

Além da obra de Pollock ou De Kooning, há ainda um outro grupo destinto neste movimento que engolba os artistas que pintam em “Colour Field” (planos de cor), tais como Mark Rothko, Barnett Newman e Clyfford Still, que utilizam manchas de cor simples e unas.

Nos E.U.A. e mais tarde na Europa a action painting teve grande influência no aparecimento da Performance Art.

1945 – ARTE BRUTA

No catálogo da exposição A Arte Bruta Preferida às Artes Culturais, realizada em 1949, em que são mostradas 200 obras de 60 artistas autodidactas, Jean Dubuffet (1901 – 1985) define o sentido da expressão por ele cunhada quatro anos antes. Nas suas palavras:

Entendemos pelo termo as obras executadas por pessoas alheias à cultura artística, para as quais o mimetismo contrariamente ao que ocorre com os intelectuais desempenha um papel menor, de modo que seus autores tiram tudo (temas, escolha de materiais, meios de transposição, ritmo, modos de escrita etc.) das suas próprias fontes e não dos decalques da arte clássica ou da arte da moda. Assistimos à operação pura, bruta, reinventada em todas as fases pelo seu autor, a partir exclusivamente dos seus próprios impulsos.

Obras feitas com base na exploração dos territórios da subjectividade e da imaginação criadora, por pessoas à margem da tradição e do sistema artístico: solitários, crianças, pacientes de hospitais psiquiátricos etc. São justamente esses trabalhos que o termo Art Brüt visa descrever, na tentativa de destruir o carácter selectivo das artes e de valorizar a manifestação expressiva bruta, espontânea e imediata de autodidactas.

A colecção de arte bruta organizada por Dubuffet ao longo dos anos não apresenta nenhuma obra do artista, o que não quer dizer que sua própria produção não tenha sido tocada por essas pesquisas. Em trabalhos de diferentes períodos, Dubuffet reproduz coloridos acentuados, nas linhas deliberadamente “mal-acabadas”, que lembram graffitis, e nas deformações. As preocupações de Dubuffet com a arte bruta ligam-se ao contexto da arte europeia após 1945 e ao chamado Informalismo.

Dubuffet trabalha desde o início com grande liberdade técnica. A ênfase recai sobre a matéria bruta, desde os trabalhos da década de 1940 até às obras produzidas entre 1957 e 1960, que se caracterizam pelas texturas experimentadas com cores e materiais diversos, e que apontam na direcção da recusa da expressão e da representação. Consequentemente, o artista caminha para a produção de assemblages, pela incorporação de materiais não-artísticos às telas: areia, gesso, asas de borboleta, resíduo industrial etc.

De qualquer modo, entre todos os nomes é Dubuffet aquele mais directamente ligado à idéia de arte bruta como mentor e teórico – que ele faz questão de distinguir da chamada “arte psiquiátrica” e também da arte naïf. Esta, diz ele, mantém-se como uma corrente no interior da pintura, enquanto na arte bruta os artistas criam livremente, exclusivamente para uso pessoal.

 

1946 – ESPACIALISMO

1955 – ARTE CINÉTICA OU OP ART

1956 – HAPPENINGS

c.1960 – NOVO REALISMO

c.1960 – POP ART

c.1960 – MINIMALISMO
 
c.1960 – ARTE CONCEPTUAL

c.1960 – BODY ART

1967 – ARTE POVERA/ARTE POBRE

1963 – FUXUS

c.1970 – HIPER-REALISMO

c.1970 – LAND ART

c.1970 – GRAFITISMO

c.1970 – ARTE VÍDEO

c.1970 – INSTALAÇÃO & ENVIRONMENT

c.1980 – TRANSVANGUARDA

c.1990 – ARTE INTERVENTIVA
 
2003 – FLASH MOB

ARTE E TECNOLOGIA – OS NOVOS MEDIA

 

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